Fim de semana chegando: o que fazer com as crianças em casa?

Acabo de ler em um blog (que não vale a pena ser citado), que o importante nas férias é "Manter as crianças ocupadas".

Diante disso me vieram muitas perguntas:

Por que o importante é manter as crianças ocupadas?

( ) porque é mais fácil quando elas estão entretidas com algo, para que consigamos fazer nossas coisas?

( )porque elas precisam aprender coisas para enfrentar o mundo?

( )porque se não elas começam a ficar entediadas e incomodam?

( )outra alternativa.

Não consigo separar o olhar de mãe do de educadora, e o que me ocorre é que quando estamos ocupados, nem sempre estamos conectados conosco, a maioria das vezes escolhemos algo para nos distrair. De que? O mundo é cheio de contradições, nós somos cheios de contradições, se nos distraímos não precisamos enfrentar essas contradições e saber como resolvê-las!

Mas isso também não é uma crítica. Eu adoro me divertir, adoro ir ao cinema, ao teatro, a parques com meu filho, mas não encaro isso como uma ocupação para acalmar o "leão" que está preso dentro de nós. Tenho exercitado estar com atenção plena em todas minhas escolhas de diversão. Até porque as coisas acontecem enquanto nos divertimos: fico brava porque o outro não quer fazer o que quero, uma criança tira o brinquedo da mão de meu filho, meus julgamentos internos vêm à tona para questionar se era isso que eu deveria estar fazendo mesmo, não tenho dinheiro pra fazer o que gostaria, a maioria dos meus amigos está longe, o esgoto da minha casa resolveu estourar e alagar nosso escritório, levei uma multa no trânsito, etc, etc.

Então, paro pra pensar que diante das adversidades da vida e do "mundo cruel" que nós temos, o que importa mesmo é termos Inteligência Emocional. Se eu souber como lidar com minhas frustrações, se entender de empatia e puder acolher o outro, se souber como acalmar meu coração e ir em frente para tornar meus sonhos realidade, talvez eu consiga entender melhor o mundo do jeito que ele é (e não do jeito que eu gostaria que ele fosse), e com inteligência e criatividade, possa ajudar o mundo a ser diferente.

Muitos livros e pesquisas tanto sobre educação, quanto sobre o mundo corporativo têm demonstrado que a moeda do mundo de hoje é a CRIATIVIDADE. No Vale do Silício, berço do desenvolvimento econômico mundial, altos executivos têm colocado seus filhos em escolas Waldorf, que priorizam o uso da criatividade, das artes e autonomia, respeitando profundamente o tempo das crianças (é claro que essa é uma redução sobre a educação Waldorf, quem se interessar, pode procurar mais informações aqui e neste vídeo do Mamatraca)

Aqui vocês podem aproveitar um vídeo do Ken Robinson, especialista em Educação e palestrante no mundo todo, para entender um pouco mais sobre o desenvolvimento humano, social e econômico pensado sob a base da criatividade. Esse vídeo e este outro aqui, podem nos ajudar a pensar como estamos educando nossos filhos e o que queremos oferecer a eles.

Voltando aos tópicos questionados acima, me vêm mais perguntas:

Sim, precisamos de tempo para fazer nossas coisas, depois que temos filhos continuamos vivendo, querendo coisas, sentindo e necessitando satisfazer nossas necessidades. Isso é fato. A maioria das coisas, podemos fazer com nossos filhos, que aprendem conosco sobre a vida vendo-a acontecer e sendo participante dela. É incrível como as crianças gostam de ser ajudantes, elas sentem-se parte, ficam felizes em conseguir fazer algo, melhoram sua relação conosco quando fazemos algo juntos!

Ontem mesmo fui ao supermercado com o Lucano. Já na entrada há um daqueles espaços para o qual paga-se R$10,00 para deixar as crianças brincando por 15 minutos, para podermos fazer as compras tranquilos. Eram 19h e havia bastante criança ali. Pensei: "Puxa vida, as crianças saem da escola e ficam aqui, alienadas do mundo mais um pouquinho enquanto os pais fazem compras!".

Pois bem, entrei no supermercado com o Lucano, ele pulou para dentro de um carrinho e ficou se equilibrando para frente e para trás enquanto eu empurrava o carrinho. A cada item comprado, ele se precipitava para escolhê-lo e colocar dentro do carro. Ficou arrumando as compras no carrinho, pulou por cima delas, arrumou tudo de novo, entendeu como escolher um tomate e a sentir o cheiro da manga para escolher a melhor. No meio dos corredores ele quis fazer xixi...ai,ai,ai. Disse que conseguia segurar e continuamos nossa aventura. Acho que ganhamos nós dois em fazer as compras juntos!

Agora, para que eu consiga estudar, gravar as aulas online, fechar negócios da lojinha e namorar, bem, não consigo fazer isso com ele pulando, questionando tudo à minha volta e querendo brincar comigo. Por isso, para educar em casa, é preciso se abrir pro mundo, ao contrário do que as pessoas pensam, se eu me isolar do mundo, ficaremos ilhados e não conseguiremos evoluir. É preciso aceitar ajuda, ter parcerias, programar coisas que ele faça com amigos, tios, avós. Para dar certo nossa escolha, é preciso fazermos parte de uma rede de amizade e cooperação, que vai nos acudir quando necessário, que vai pensar e repensar conosco sobre educação, que vai precisar de nossa ajuda também e para os quais poderemos ser úteis. Enfim há inúmeras formas de fazermos nossas coisas e termos nosso tempo, que não seja deixando as crianças babando diante da televisão, isoladas de seu mundo interno e externo.

E o que fazemos quando não temos nada para fazer? Tédio! Sabemos ficar sozinhos ou em silêncio? Sabemos lidar conosco, com nosso tédio? Sob o meu ponto de vista é importante inclusive sabermos lidar com isso, pra não "atear fogo no índio porque ele estava ali deitado no chão (e não tínhamos nada excitante para fazer)".